Ocitocina: hormônios que influenciam seu comportamento

Por que a ocitocina é conhecida como o hormônio do amor?

A Neurociência tem como objetivo entender o funcionamento do sistema nervoso. Seja em nível funcional ou estrutural, essa disciplina tenta entender como o cérebro se organiza.

Mas ela vai além, buscando entender a repercussão que esse funcionamento do cérebro tem sobre comportamentos, pensamentos e emoções.

Origem da Neurociência

Foi Santiago Ramón y Cajal, médico e histologista espanhol, que recebeu o Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1906, quem formulou a doutrina do neurônio.

Suas contribuições aos problemas de desenvolvimento, degeneração e regeneração do sistema nervoso continuam atuais e sendo ensinadas em universidades.

Consideremos que a neurociência tem início no século XIX.

O advento das tecnologias e técnicas experimentais, como a coloração de tecidos e pesquisa sobre estrutura do sistema nervoso e sua funcionalidade, foi responsável pelo desenvolvimento da Neurociência.

Os descobrimentos sucessivos da neurociência são multidisciplinares.

Isso porque ao longo da história da anatomia, ela se encarregou de localizar cada parte do organismo.

  • Fisiologia, com o foco em entender o funcionamento do corpo.
  • Farmacologia, com substâncias externas ao organismo, observando os efeitos causados no corpo.
  • Bioquímica, servindo-se de substâncias liberadas pelo próprio organismo como neurotransmissores.
  • Psicologia realizou importantes contribuições à neurociência, com teorias sobre comportamento e pensamento.

Ao longo do tempo, a visão sobre o cérebro foi se tornando mais funcional, no qual o objetivo é conhecer seu funcionamento global.

Aliás, a Psicologia também foi responsável por importantes contribuições à Neurociência, através de teorias sobre comportamento e pensamento.

Hormônios: o que são e como influenciam o comportamento

Os diferentes hormônios fabricados pelo corpo não somente desempenham funções vitais nos processos biológicos.  Também são responsáveis pelo condicionamento do comportamento e até mesmo do humor.

E desequilíbrios hormonais são fenômenos que podem levar a depressão ou ainda a ver e sentir a realidade de maneira muito distinta.

Apesar de acharmos que temos controle total sobre nossos comportamentos, ações e pensamentos, estamos completamente subordinados às ordens dos nossos hormônios.

Hormônios são espécies de “mensageiros” químicos do corpo, responsáveis por regular diversos e inúmeros processos metabólicos. Eles são substâncias produzidas no corpo humano por glândulas e tecidos especializados.

Eles viajam através da correntes sanguínea para todos os tecidos e órgãos para controlar nosso desenvolvimento, equilíbrio interno e bem-estar.  Entretanto, alterações podem causar grande impacto na saúde e no comportamento.

Hormônios são responsáveis por provocar sono ou estado de alerta, fome ou saciedade, felicidade ou raiva, por fazer o sistema reprodutor trabalhar, o corpo crescer, engordar ou emagrecer.

Tipos de hormônios

Existem muitos hormônios, mas os principais são:

  • Testosterona (hormônio masculino)
  • Progesterona (hormônio feminino)
  • Adrenalina (hormônio que atua na estimulação do sistema nervoso simpático)
  • Dopamina (hormônio responsável pelas sensações de motivação e prazer)
  • Insulina (hormônio responsável pela absorção da glicose pelas células)
  • Melatonina (hormônio responsável pelos ritmos do corpo, regulando, principalmente, o sono)
  • Serotonina (hormônio que age, entre outros, na regulação do apetite e na atividade sexual)

Ocitocina, o hormônio do amor

Conhecida como hormônio do amor, a ocitocina também é um importante hormônio no corpo humano. Ele é responsável por sensações reconfortantes durante interações sociais e físicas.

Aliás, tem uma série de funções ligadas com à reprodução. Entre elas, a secreção do leite pelas glândulas mamárias e a facilitação das contrações do útero no momento do parto. Mas também é o hormônio responsável pelo vínculo entre mães e filhos e entre casais.


A ocitocina, junto de outros neurotransmissores, reduz níveis de ansiedade e estresse nas interações sociais, além de estar relacionada ao desenvolvimento de confiança, generosidade e empatia. Ainda, ajuda na satisfação de homens e mulheres em suas relações sexuais.

E é exatamente por isso tudo que recebe esse nome. Inclusive, existem pesquisas que comprovam que este hormônio é responsável pela aproximação entre as pessoas e formação de laços.

Como vimos, a ocitocina modula a expressão de comportamentos sociais e emocionais. Ela tem sido proposta como um tratamento farmacológico para doenças psiquiátricas, como autismo e esquizofrenia.

Além disso, é responsável pelo altruísmo e a honestidade. Então, existe uma base biológica para a moralidade?

Paul Zak e a ocitocina

Para o pós-doutor em Neuroimagem por Harvard e autor do livro The Moral Molecule, Paul Zak, a resposta é sim.

Em seu livro, o conhecido como Dr. Amor mostra os resultados de estudos que conduziu e que caracterizam o papel da ocitocina na produção de diversos comportamentos morais.

Este hormônio estaria implicado nas virtudes de confiabilidade, sacrifício, generosidade e empatia, bem como de atenção às leis. Portanto, a molécula da ocitocina vêm se juntar ao longo debate sobre se somos bons ou maus.

Afinal, o que determina a natureza humana?

Em sua palestra no TED, Paul Zak descreve como fez a descoberta da molécula moral, testando as pessoas por meio do uso de dinheiro para entender suas tomadas de decisões. A este campo dá o nome de Neuroeconomia.

Em seus estudos, Paul Zak conduziu a manipulação da química do cérebro em seres humanos para mostrar que a ocitocina faz com que as pessoas sejam diretamente morais.

Aprenda com Paul Zak 

Aprender Neurociência é conhecer a forma como o cérebro interpreta o mundo e a maneira como as emoções influenciam nas relações e comportamentos.

Compreender como as pessoas processam informações sociais é uma área fundamental, sendo a Neurociência responsável por esses importantes estudos e descobertas.

Perceber, compreender e acompanhar estes estudos que conduzem a ligação indissolúvel entre cérebro, mentes, interações interpessoais e o corpo é fascinante.

Se você deseja se aprofundar na teoria e prática desses conhecimentos, a pós-graduação em Neurociências e Comportamento é ideal para você.

Nela, você aprende as fronteiras dessa ciência que revela novas possibilidades para todas as áreas do conhecimento, com profissionais que são autoridades no assunto.

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