Como evitar o estresse durante o confinamento?

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Na atual situação de confinamento e de isolamento social, causada pelo COVID-19, é comum que emoções negativas, como medo, tristeza, solidão, ansiedade e estresse, tomem conta de nós.

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O excesso de notícias, a mudança de rotina, o distanciamento físico e as consequências sociais, políticas e econômicas contribuem para o aumento desse desconforto emocional. De fato, dar conta de tantos desafios não é uma tarefa fácil.

A Psicologia nos permite uma série de conhecimentos sobre como podemos lidar com situações difíceis. Eles, junto às recomendações de instituições oficiais como a Organização Mundial da Saúde, embasam todos os dados contidos no que vamos falar aqui.

A primeira dica para evitar o estresse durante o isolamento é: cuide das suas relações. As relações com os outros são muito importantes, já que desde pequenos aprendemos a enfrentar situações desafiadoras e estressantes com o apoio da família ou de amigos. Por isso, manter uma rede de apoio é essencial em situações de crise.

Pensando em quem é mais vulnerável, como crianças, idosos e quem tem algum problema de saúde, é comum que estes fiquem mais ansiosos, irritados, retraídos e agitados. Então, se você convive com alguém desses grupos, o seu papel se torna ainda mais importante. Mas, como agir?

  • Ajude-os a expressar seus sentimentos, seja falando, desenhando, cantando, contando histórias, e, claro, ouvindo-os sem criticar.
  • Forneça instruções claras, simples e objetivas.
  • Ajude-os a manter uma rotina com horários para acordar, dormir, para as refeições, e lembre-os de beber água.
  • Mantenha a paciência. Evite gritar ou ser ríspido, afinal, essa situação é difícil para todos.
  • Pais e cuidadores (de crianças, idosos ou de pessoas com deficiência), profissionais da saúde e todos que têm papel vital e que precisam se expor, ficam especialmente sobrecarregados. Demonstrar empatia e solidariedade ajuda muito.

Como reconhecer os sintomas de estresse e de ansiedade?

Cada um pode possuir reações diferentes, mas existem alguns sinais físicos, emocionais, comportamentais e cognitivos que são mais comuns. Veja como identificar o estresse e a ansiedade:

Sinais físicos

Falta de ar, dores de cabeça e musculares, aumento dos batimentos cardíacos, alterações drásticas de apetite e sono, sensação de falta de energia e cansaço, tensão muscular, dores no geral e sem causa aparente, tremores e piora no quadro geral de quem já tem alguma doença.

Sinais emocionais

Emoções excessivas e persistentes de tristeza, raiva, culpa, medo ou preocupação, desânimo, sensação de estar com os nervos à flor da pele ou indiferença afetiva.

Sinais comportamentais

Discussões e perda de paciência com as pessoas, evitar expressar sentimentos, aumento ou abuso de substâncias como remédios, álcool, cigarro e drogas, violência e agitação.

Sinais cognitivos

Dificuldade de concentração para realizar tarefas, dificuldade de tomar decisões, confusão, lapsos de memória e pensamentos repetitivos sobre temas desagradáveis.

Por fim, se você ou alguém próximo está sentindo alguns sintomas como esses, procure ajuda. Ligando para o número 136, você pode receber instruções do Disque Saúde. Ou ainda, ligando para o número 188, há o Centro de Valorização da Vida, que oferece apoio emocional.

Estratégias para reduzir o estresse e a ansiedade

A seguir, vamos citar algumas das dificuldades que talvez você enfrente ou que já pode estar enfrentando, juntamente com dicas para solucioná-las ou amenizá-las.

“Estou com dificuldade de dar conta da minha vida. Me sinto incompetente e ineficaz no que faço.”

 Você pode sentir que alcançou o limite da sua capacidade, adiando ou desistindo de procurar soluções para os problemas. Isso gera sentimentos de desamparo e de desvalorização pessoal.

Caso você perceba que está com dificuldade para seguir seu cronograma e realizar suas tarefas, em primeiro lugar, evite uma postura julgadora e crítica consigo mesmo, afinal, é uma fase de adaptação para todos. Tudo bem demorar uns dias para engrenar na rotina, adaptações são assim mesmo.

Tente entender os motivos que fizeram você não seguir seu planejamento e busque alternativas para os próximos dias. Aproveite para propor formas diferentes e criativas de solucionar antigas e novas tarefas. Não tenha medo de inovar.

Questione pensamentos que podem estar atrapalhando você, como por exemplo “isso não tem solução”, afinal, será que isso é um fato ou apenas um pensamento?

“Estou com dificuldade em sentir que sou aceito e em sentir que pertenço aos grupos sociais significativos para mim.”

Isolar-se ao achar que as pessoas próximas não lhe apoiam e deixar de se comprometer com decisões conjuntas não são boas formas de lidar com a situação. Elas podem trazer um alívio momentâneo, porém, a longo prazo, as consequências serão negativas.

Considere a possibilidade de que outras pessoas ao seu redor possam estar sentindo as mesmas coisas que você. Tente conversar com essas pessoas, proponha chamadas de vídeo e, até mesmo, um happy hour virtual. Provavelmente você perceberá que todos estão sentindo a mesma confusão e as mesmas inseguranças que você e esses encontros virtuais podem gerar alívio e calma para todos.

“Tenho medo de não poder agir como quero, de acordo com o que acredito.”

Evite oposição, discussões e brigas. Isso tende a aumentar o estresse e a diminuir a colaboração de todos. Sentir raiva ou ter pensamentos negativos repetitivos (por exemplo, relembrar mágoas), são atitudes que não ajudarão nesse momento.

Identificar culpados para determinadas situações pode gerar ressentimentos, e manter atitudes pessimistas pode desencadear em consequências negativas para a sua saúde física e mental, e das pessoas à sua volta também.

Se você estiver se sentindo dessa forma, preste atenção em que momentos esses sentimentos aparecem. Encontre uma forma de tolerar esse desconforto, tendo em mente que pensamentos e sentimentos durante uma crise como essa podem não representar totalmente a realidade.

Tente ser flexível: busque negociar o que for possível e importante para você e aceite o que não pode ser mudado nesse momento.

Como agir durante esse período sem sair de casa?

É natural buscarmos informações sobre como nos cuidar e cuidarmos dos outros. Mas, atenção: escolha fontes de informação confiáveis e procure saber a procedência das notícias que recebe.

Assim, você evita absorver e disseminar as famosas fake news. Acesse sites oficiais, como o da Organização Mundial da Saúde, do Ministério da Saúde e de Universidades.

  • É importante manter-se bem informado, mas também é importante evitar a sobrecarga de informações. Não é necessário e não faz bem para a saúde mental ficar o dia inteiro checando as mídias sociais e noticiários. Isso pode gerar ainda mais ansiedade.
  • Inclua na sua rotina ações de autocuidado, como exercícios físicos, meditação ou relaxamento, uma alimentação balanceada e, até mesmo, assistir a um episódio da sua série favorita. Isso ajuda no combate ao estresse.
  • Se você está preocupado com sua situação financeira, uma boa dica é organizar uma tabela ou planilha com seus ganhos e gastos. Assim, ficará mais fácil de visualizar quais são os gastos essenciais e o que pode ser cortado neste momento.
  • Determine horários para trabalho, lazer e interação familiar. Lembre-se de combinar com as pessoas que moram com você sobre esses horários, estabelecendo, assim, limites saudáveis para a rotina de todos.
  • Aproveite para aprender algo novo. Manter-se produtivo durante o isolamento social pode fazer toda a diferença para a sua vida pessoal e profissional a longo prazo.

Portanto, seguir todas essas dicas quanto às fontes de informações, rotina, trabalho, relações e bem-estar, sem contar, é claro, todas as instruções de higiene que você já conhece, é o melhor que você pode fazer por você mesmo e por quem você ama durante a pandemia.

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